terça-feira, 14 de setembro de 2010

O governo de João GouLart

João Belchior Marques Goulart, ou simplesmente Jango, como era conhecido, governou o país de setembro de 1961 a março de 1964. Nasceu em São Borja, no Rio Grande do Sul. Entrou para a política com o apoio de seu conterrâneo e amigo particular, Getúlio Vargas.

Seu primeiro cargo público foi como Deputado Federal, em 1950. Logo depois foi Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio no segundo governo de Vargas. Como Ministro, ele concedeu muitos benefícios aos trabalhadores, inclusive aumentou o salário mínimo em 100%, fato que provocou sua renúncia, pois desagradou a muitos empresários.

Jango venceu duas eleições como Vice-presidente da República, sempre pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). A primeira vitória foi como segundo de Juscelino Kubitschek, em 1955. Após cinco anos, foi eleito vice de Jânio Quadros.

Parlamentarismo

Com a renúncia do Presidente Jânio Quadros, em agosto de 1961, João Goulart deveria assumir o governo. Mas partidos da oposição, como a UDN (União Democrática Nacional) e os militares tentaram impedir a sua posse. Nesta ocasião, Jango, que era tido como simpatizante do comunismo, estava em visita oficial à China (país comunista).

O Governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, cunhado de Jango, encabeçou a chamada Campanha da Legalidade, a fim de garantir o direito previsto na Constituição de 1946 de que na falta do Presidente, assume o candidato eleito a vice.

Brizola foi às rádios conclamando a população para que se manifestasse a favor de Jango. Ele conseguiu o apoio do Comando Militar do Rio Grande do Sul e também de líderes sindicais, de movimentos estudantis e de intelectuais.

A solução encontrada pelo Congresso Nacional foi instaurar o sistema Parlamentarista, no qual o poder do Presidente fica limitado. Ele indica, mas pouco interfere nas ações dos Ministros. No dia 07 de setembro de 1961 Jango tomou posse. O Primeiro Ministro indicado foi Tancredo Neves, do PSD (Partido Social Democrata) mineiro.

Em janeiro de 1963 houve um plebiscito (consulta popular), para que se decide sim ou não pela continuidade do Parlamentarismo. Com 82% dos votos, o povo optou pelo fim deste sistema de governo e pela volta do Presidencialismo.

Plano econômico

Jango adotou uma política econômica conservadora. Procurou diminuir a participação de empresas estrangeiras em setores estratégicos da economia, instituiu um limite para a remessa de lucros das empresas internacionais e seguiu as orientações do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Contudo, o Presidente sempre foi maleável com relação às reivindicações sociais. Em Julho de 1962, os trabalhadores organizaram o CGG (Comando Geral de Greve), convocando uma greve geral. Conquistaram com este movimento um antigo sonho dos funcionários: o 13º salário.

Com o fim do Parlamentarismo, restavam ainda três anos de mandato para João Goulart. Elaborado pelo economista Celso Furtado, o Presidente lançou o Plano Trienal, que previa geração de emprego, diminuição da inflação, entre outras medidas para pôr fim à crise econômica. Porém, o plano não atingiu os resultados esperados.

Reformas de base

Jango acreditava que só através das chamadas reformas de base é que a economia voltaria a crescer e diminuiria as desigualdades sociais. Estas medidas incluíam as reformas agrária, tributária, administrativa, bancária e educacional.

Em um grande comício organizado na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, Jango anunciou a mais de 300 mil pessoas que daria início as reformas e livraria o país do caos em que estava vivendo.

Este comício, entretanto, foi mais um motivo para que a oposição o acusasse de comunista. A partir daí houve uma mobilização social anti Jango.

O Golpe Militar

A classe média assustada deu apoio aos militares. Alguns dias depois do comício, foi organizada a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, com o objetivo de dar apoio aos golpistas.

No dia 31 de março de 1964, os militares se reuniram e tomaram o poder, com apoio dos Estados Unidos.

Jango não resistiu. Deixou o governo e se refugiou no Rio Grande do Sul. De lá, foi para o exílio no Uruguai e na Argentina, onde morreu aos 57 anos, vítima de um infarto.


REVOLUÇAO RUBANA

>> Revolução Cubana <<


A queda de Batista (1953-1959) – Cuba vivia, desde 1952, sob a ditadura de Fulgêncio Batista, que chegara ao poder através de um golpe militar. Batista era um ex-sargento, promovido de uma hora para outra a coronel, depois da chamada “revolução dos sargentos” que depôs o presidente Gerardo Machado, em 1933. Sete anos depois, em 1940, Batista foi eleito presidente. Concluído seu mandato, manteve-se distante do poder durante o governo de seus dois sucessores, para retornar novamente à ativa em 1952, com um golpe.

Contra a ditadura de Batista formou-se uma oposição, na qual se destacou o jovem advogado Fidel Castro, que em 26 de julho de 1953 atacou o quartel de Moncada, com um grupo de companheiros. O ataque fracassou e foram todos encarcerados, mas o ditador anistiou os rebeldes em 195. Fidel, impossibilitado de agir devido à rigorosa vigilância policial, procurou exílio no México, onde reorganizou suas forças. No final de 1956, retornou a Cuba no barco Granma, carregado de armas para iniciar o confronto militar com Batista.

O plano de desembarque, porém, fracassou, e Fidel teve que se refugiar com os companheiros em Sierra Maestra, de onde começaram as operações guerrilheiras. Essas operações tornaram-se cada vez mais organizadas e o movimento guerrilheiro cresceu em força e apoio popular enfrentando o poder do ditador.

A selvagem repressão desencadeada por Batista aumentou sua impopularidade a tal ponto que, em 1958, os Estados Unidos acabaram suspendendo a venda de armas para o ditador. Em 8 de janeiro de 1959, depois de uma bem-sucedida greve geral, Batista foi derrubado e as tropas de Fidel entraram em Havana.

Manuel Urritia Manzano, moderado opositor do regime Batista, ocupou a presidência, e Fidel foi indicado primeiro-ministro. Alguns membros do Movimento 26 de Julho – nome da organização político-guerrilheira chefiada por Fidel – também ocuparam cargos ministeriais.

A organização de Fidel desfrutava de uma simpatia generalizada entre os cubanos e, a princípio, manteve-se eqüidistante do comunismo e do capitalismo. Os cubanos esperavam, por isso, que se instalasse um governo constitucional, um sistema democrático-representativo nos moldes conhecidos das repúblicas burguesas.

A radicalização – O fuzilamento dos inimigos da revolução (o famoso paredón), as reformas urbanas que obrigaram a baixar os preços dos aluguéis e a reforma agrária, de profundidade sem paralelo na América, eram manifestações de radicalismo que começaram a inquietar os moderados e, no plano externo, o governo dos Estados Unidos.

A resistência do presidente Urritia à radicalização levou Fidel a demitir-se em julho de 1959. Essa atitude suscitou a mais viva manifestação a favor de Fidel e levou, por sua vez, à renúncia de Urritia, que foi substituído por Osvaldo Dorticós Torrado. Fidel voltou a assumir o posto de primeiro-ministro.

Os moderados, vendo na manobra política de Fidel o sintoma de uma indesejável combinação de radicalismo e autoritarismo, afastaram-se do poder. Isso significou, para a revolução, a perda de apoio dos quadros qualificados (profissionais especializados), a qual, no entanto foi compensada pela aproximação e colaboração dos comunistas, que desde o início da guerrilha conservaram-se distantes do Movimento 26 de Julho.

A adesão dos comunistas à revolução, embora tardia, fez com que às audaciosas medidas do novo governo fossem interpretadas como de origem e inspiração comunista, o que não era verdade. De qualquer forma, serviu para encaixar o governo castrista no esquema da guerra fria: se o novo regime não era pró-capitalista, então só podia ser comunista. Essa foi a conclusão dos conservadores e moderados.



Etapas da ruptura com a ordem capitalista (1960-1961) – Era verdade, contudo, que a reforma radical implantada pelo novo governo possuía uma profunda orientação anticapitalista. O radicalismo do governo revolucionário era visto com desconfiança pelos Estados Unidos, sobretudo porque a reforma agrária atingira propriedades açucareiras que pertenciam a capitalistas norte-americanos. O presidente Eisenhower, contrariando o desejo dos ultraconservadores, descartou, entretanto a intervenção militar. Em represália, porém, desencadeou uma dura pressão econômica, cortando fornecimentos - por exemplo, de petróleo - e fazendo vistas grossas para ações de sabotagem contra a economia cubana.

Em julho de 1960, Cuba passou a importar petróleo da União Soviética, mas as refinarias, de propriedade norte-americana e britânica, recusaram-se a refinar o produto. Como resposta, o governo cubano encampou as refinarias, e os Estados Unidos reagiram suspendendo a compra do açúcar cubano.

Em 1961, com John Kennedy, a ruptura se completou. Os Estados Unidos romperam as relações diplomáticas com Cuba e Kennedy autorizou a invasão militar do país pelos exilados cubanos treinados por militares norte-americanos. No dia 17 de abril de 1961, com apoio aéreo dos Estados Unidos, os contra-revolucionários desembarcaram na praia de Girón, na baía dos Porcos, mas foram derrotados em 72 horas.

Dois dias antes da invasão, no dia 15 de abril, Fidel havia declarado, pela primeira vez, que a revolução cubana era socialista.

Os Anos REBELDES

Rebeldes e revolucionários, os anos 60 mudaram a vida da sociedade global :

Seria muito difícil imaginar o que seria a sociedade mundial de hoje sem considerar as enormes influências trazidas pelos anos 60, especialmente a partir da sua segunda metade até o início dos anos 70. Ali foram fortalecidos conceitos que nos são caros até hoje, como a igualdade social para pessoas de raças diferentes e entre homens e mulheres, a liberdade sexual (principalmente com o advento da pílula anticoncepcional) e a luta por direitos políticos e liberdade de expressão.

Tudo isso foi resultado de uma efervescência fantástica no campo de produção cultural e de alteração do próprio comportamento individual, de complexidade tamanha que até hoje, passados quase 40 anos, ainda é muito difícil identificar o que um exatamente sofreu influência ou influenciou.

No Brasil, um dos pontos mais marcantes dessa história foi relatado pela minissérie Anos Rebeldes, da Rede Globo. Produzida e levada ao ar em 1992, tendo como musas as atrizes Cláudia Abreu e Malu Mader, Anos Rebeldes sem a menor dúvida insuflou os ânimos dos adolescentes naquele ano para protestarem em todo o País para a cassação do então presidente Fernando Collor de Mello, acusado de acobertar casos de corrupção em seu governo.

Ao ver na minissérie global toda a mobilização dos jovens brasileiros contra o regime ditatorial implementado no País após o Golpe de Estado de 1964, muitos seduzidos pelo "glamour dos companheiros" tomaram para si a luta de retirar Collor do poder.

O fato é que Anos Rebeldes reproduz ficção e história real com propriedade e paixão. Entender a profundidade do período do regime militar do Brasil, porém, é algo muito mais complexo e profundo do que a minissérie mostra.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

..:: Jânio Quadros ::..

Jânio da Silva Quadros(Campo Grande, 25 de janeiro de 1917 — São Paulo, 16 de fevereiro de 1992) foi um político e o vigésimo segundo presidente do Brasil, entre 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961 — data em que renunciou, alegando que "forças terríveis" o obrigavam a esse ato. Em 1985 elegeu-se prefeito de São Paulo pelo PTB. Foi o único sul-mato-grossense presidente do Brasil

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GoVerNo de Jânio Quadros :

Jânio Quadros assume a Presidência da República com as características pessoais com que desempenhava, até então, o seu papel público e isto já se reflete na formação do seu Ministério, muito mais expressão de qualificações personalistas e de jogo inteligente de concessões aparentes a partidos, do que resultante efetiva das forças que o conduziram ao poder. A rigor, Jânio, não sendo homem de partido, seu governo passaria desde o começo a ser resultante natural dessa carência de estruturação e via-se que a direção seguida para ser frutífera, teria que ser produto de uma atuação estruturada, em que ao Presidente da República deveria caber a ordenação geral. Seu Ministério era integrado por homens provindos de quase todos os partidos nacionais escolhidos ao seu critério. Eram eles: Clemente Mariani Bittencourt para a Fazenda Afonso Arinos de Melo Franco para as Relações Exteriores Oscar Pedroso Horta para a Justiça e Negócios Interiores Francisco Carlos de Castro Neves para o Trabalho Romero Cabral da Costa para a Agricultura João Agripino Filho para Minas e Energia Arthur Bernardes Filho para Indústria e Comércio Brígido Tinoco para Educação e Cultura Clóvis Pestana para Viação Eduardo Catete Pinheiro para a Saúde Três militares para as Forças Armadas: Odílio Denys para a Guerra, Sílvio Heck para a Marinha e Grum Moss para a Aeronáutica. O Ministério de Jânio Quadros causou viva surpresa em certos círculos e grandes decepções à personalidades que esperavam ser contemplados na distribuição dos altos postos. O critério com que o novo Presidente da República o constitui parece ter sido o de incluir o maior número possível de elementos partidários, sem que, no entanto, tenham os escolhidos resultado de indicação dos partidos. Será difícil, porém surgirem impugnações por parte destes. A União Democrática Nacional deu três ministros. Escolheu o presidente JQ o líder udenista na Câmara dos Deputados, João Agripino, para o novo Ministério de Minas e Energia. É um homem cercado da confiança de seu partido. Bacharel em Direito, Deputado em várias legislaturas, parlamentar dos mais ilustres e combativos, sua nomeação atende, também, às reivindicações do Nordeste, pois se trata de um filho da Paraíba. Sua escolha veio quando todos já esperavam que ele fosse o líder governamental na Câmara dos Deputados. Outro Ministro udenista que é também homem do Norte, Clemente Mariani, ocupara a Pasta da Fazenda. É esta uma das raras vezes que um homem da região do cacau ocupa um lugar que tem cabido por tradições aos homens do café. Mas o Presidente da República já representava São Paulo, no Governo e isso é que tornou tal coisa possível. Deputado à Constituinte de 1934 e à Constituinte de 1946, Clemente Mariani foi um dos elementos que representaram a UDN no governo do marechal Dutra, quando o partido do Brigadeiro se compôs com o vitorioso de 1945. Ocupou, então, a pasta da Educação e Saúde (só depois desmembrada) e, desde que se afastou do Ministério deixou ostensivamente as atividades políticas. Tendo sido jornalista e ocupando uma das cátedras da Faculdade de Direito da Bahia, Clemente Mariani é, antes de tudo, um homem das finanças, um banqueiro bem sucedido, administrando, com grande tino, no Banco da Bahia, além de várias outras empresas, das quais agora se afasta para dar sua colaboração ao novo governo. O terceiro ministro udenista é Afonso Arinos de Melo Franco Sobrinho, atual Senador pelo Estado da Guanabara. Anteriormente sua base política era o Estado de Minas, principalmente o Nordeste (Paracatu e adjacências). Antigo jornalista, crítico literário, historiador e biógrafo, é também professor de Direito e membro da Academia Brasileira de Letras. Com a nomeação de Afonso Arinos de Melo Franco Sobrinho, JQ fez um homem felicíssimo: o Sr. Venâncio Igrejas, suplente do novo chanceler, que nunca conseguira se eleger nem vereador, mas que agora dispõe de uma tribuna no Senado. O Partido Republicano, que se cindiu, graças a uma manobra habilíssima do grupo janista, para acompanhar a candidatura de JQ, foi contemplado com o Ministério da Indústria e Comércio (desmembrado do Ministério do Trabalho). Recaiu a escolha de Arthur Bernardes Filho, antigo constituinte, deputado, senador e vice-governador do Estado de Minas Gerais. É o atual Presidente do PR, cargo outrora ocupado por seu ilustre pai, o ex-Presidente Bernardes. O Partido Democrata Cristão foi contemplado na pessoa do Deputado fluminense Brígido Tinoco, que fazia parte da dissidência janista do PSB, mas terminou por se desligar do socialismo e ingressar naquela legenda. Advogado, alto funcionário do Ministério do Trabalho (procurador) e professor de Direito, foi prefeito de Niterói, constituinte de 1946 e candidato derrotado em 1954, ao governo fluminense. Escritor premiado pela Academia Brasileira de Letras e pela Biblioteca militar (com um livro sobre Duque de Caxias) escreveu, a biografia de Nilo Peçanha. Antes de sua escolha, o nome de foco era o da escritora Rachel de Queiroz: JQ queria ser o primeiro Presidente a nomear uma mulher Ministro de Estado. Mas a autora de "O Quinze" retirada da política (na mocidade foi militante esquerdista), resistiu à tentação... O Partido Trabalhista Nacional está representado no governo pelo Presidente da seção do Pará, Edward Catete Pinheiro. Deputado Federal, formado em Medicina, Catete Pinheiro era candidato a um lugar de menor gabarito, mas de grande importância para a sua região: o de diretor da SPVEA. Um dos problemas com que se defrontará: o de acabar com a filariose e a malária no Pará e nas regiões adjacentes. Essa nomeação rebentou como uma bomba nos círculos udenistas paraenses, pois o novo ministro é considerado o adversário número um do Deputado Ferro Costa, que foi um grande janista e lidera a UDN no Pará. A dissidência do PSD do Rio Grande do Sul foi contemplada na pessoa de Clóvis Pestana, Ministro da Viação, no período final do governo do Marechal Dutra. Foi quem inaugurou a Estrada Presidente Dutra, entre Rio e São Paulo. Engenheiro civil, também formado em Direito, Clóvis Pestana pertence à representação do seu estado na Câmara Federal. É engenheiro da Prefeitura de Porto Alegre, já foi prefeito da capital gaúcha e era Secretário de Viação e Obras Públicas do Estado quando o marechal Dutra o chamou para o Ministério. Além desses ministros ligados às diversas agremiações partidárias, outros há que não pertencem a partidos. É o caso dos três ministros militares e de Pedroso Horta, Castro Neves e Romero Costa. Pedroso Horta é um dos grandes advogados de São Paulo. É o titular da Justiça e Negócios Interiores. Foi, por algum tempo, diretor da Guarda Civil, dirigiu a Companhia Municipal de Transportes Coletivos, da prefeitura de São Paulo (na administração Toledo Piza) e, embora tendo defendido Adhemar de Barros perante a Justiça, revelou-se um dos mais ardorosos janistas, prestando grandes serviços durante a recente campanha eleitora. Pedroso Horta foi diretor de "Última Hora", de São Paulo, da qual se desligou quando a empresa se comprometeu com a candidatura Lott. Castro Neves, que já pertenceu ao PSD e ao PTB, estando atualmente sem compromissos partidários. Foi Deputado estadual, secretário do governo na administração Lucas Nogueira Garcez e Secretário do Trabalho, na administração de Jânio Quadros. Dada a habilidade com que se houve nesse último posto, foi escolhido para ocupar a pasta do Trabalho. Romero Costa, usineiro em Pernambuco, considerado um técnico em assuntos agrícolas, foi indicado pelo Governador Cid Sampaio e pelo Deputado Maurílio Costa Rego, como homem capaz e de mentalidade evoluída. Não se trata, nesse caso, de escolha pessoal do Presidente da República, mas da aceitação por este de um nome avalizado pela situação política dominante em Pernambuco. As pastas militares serão ocupadas pelo Marechal Odílio Denys, que serviu nos últimos meses do governo de Juscelino Kubitschek de Oliveira, com tanta isenção e critério que o novo Presidente lhe pediu que continuasse a ocupar a pasta da Guerra, pelo Brigadeiro-do-Ar Gabriel Grum Moss e pelo Almirante Sílvio Heck, duas personalidades de relevo na Aeronáutica e na Marinha. Embora sem o título de ministros, há dois outros com poder e gabarito ministerial: o Chefe da Casa Civil e o Presidente do Banco do Brasil. A chefia da Casa Civil será exercida por Quintanilha Ribeiro. Formado em Direito, antigo Presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, combatente da Revolução Constitucionalista de 1932, Quintanilha Ribeiro foi o Chefe da Casa Civil do Governador Jânio Quadros com tal eficiência que não surpreende a sua escolha para ocupar cargo semelhante junto ao Presidente, tanto mais que foi infatigável durante a campanha eleitoral. O Presidente do Banco do Brasil é o grande prestígio nos círculos financeiros de São Paulo, na qualidade de Presidente do Banco Sul-Americano S.A. e da Cibrex, além de diretor-tesoureiro da Companhia Territorial e Imobiliária Santo Amaro. Tal é a equipe de Jânio Quadros. Para alguns, trata-se de um Ministério de experiência, a ser alterado, parcial ou mesmo totalmente, quando o novo Chefe de Estado tomar pé nos problemas nacionais e tiver sentido com intensidade as reações das correntes políticas. Para outros, porém, trata-se de uma equipe definitiva, preparada para entrar em ação sob o comando de um líder que sabe o que quer, quando e como. Na cerimônia da transmissão da faixa presidencial falaram o Presidente egresso e o Presidente entrante. Juscelino desejou à Jânio uma administração fecunda. Jânio extremamente expressivo diz à Juscelino: "O governo de Vossa Excelência, que ora se finda, terá marcado na história a sua passagem, principalmente porque, através de sua meta política, logrou consolidar em termos definitivos, no país, os princípios do regime democrático." Desde o início, Jânio Quadros já encontrava dificuldades com o Congresso Nacional, principalmente, com as "forças opositoras". Tais "forças" queriam notadamente, de Jânio, o loteamento dos cargos no primeiro, segundo e terceiro escalão do governo. Jânio envergava, mas não quebrava. Os famosos bilhetes de Jânio, personalissimamente endereçados, tinham acolhida, irônica ou pitoresca nas colunas dos jornais e eram recebidos pelo povo com misto de admiração, reverência, credulidade e de pilhéria. O funcionalismo público desde logo foi alvo da moralização, através de decretos que dispunham quanto ao cumprimento de horário de funcionamento das repartições públicas, quanto à exoneração ou à dispensa. Em suma, a máquina burocrática deveria ser qualificada e produtiva, sem alteração de sua estrutura e métodos, através de medidas de moralização e bons costumes. Após dois meses e meio de empossado, Jânio se lançaria no primeiro grande ato presidencial, cuja seqüela marcaria os restantes meses de seu governo: a instrução 204, do Ministério da Fazenda, através da qual se processaria a reforma cambial. O próprio Presidente fez uma detida exposição dos motivos que levaram o seu governo a tomar grave passo com dois objetivos sucessivos: tornando reais os câmbios em causa, os custos iriam sofrer aumento, não só dos gêneros de primeira necessidade, mas também indiretamente pelo aumento de fretes e, após o que o governo ficaria habilitado a exercer real inspeção dos preços cobrados à população, objeto de especulação desenfreada do poder econômico. Nesta altura, setores poderosíssimos da vida econômica e financeira do País reagiam de forma desfavorável. O povo recebeu com assombro, tristeza e decepção as medidas, mas o Presidente tinha tal crédito que a massa popular tinha largo lastro de esperança e acreditava que "melhores dias viriam". Em princípios de julho de 1961, o ministro Clemente Mariani anunciava ao País a instrução 208, complementando a 204, que procurava beneficiar o intercâmbio com os países integrantes da Associação Latino-Americana de Livre Comércio. Um mês depois, o Presidente reúne o Ministério para acertar as medidas de interesse nacional, dentre elas, a decisão de promover a reforma, pela atualização, do Direito Privado Brasileiro, que ficou sob a supervisão do ministro da Justiça, Oscar Pedroso Horta. Este nomeou comissões de juristas, escolhendo-os de maneira impessoal entre os luminares das letras jurídicas. O trabalho demonstrava a urgente necessidade de adequar-se a estrutura jurídica nacional à realidade dos tempos. O governo começava a tomar posições nos problemas substantivos e aos poucos ia se endereçando aos problemas reais, mas de forma sempre assistemática. Um plano faltava, global. O economista Celso Furtado viria a encarregar-se dele, mas tinha convicção de que o plano jamais viria a ser seguido. O CONCLAP - Conselho Superior das Classes Produtoras - durante a campanha, antecipou um documento extenso em que propunha um plano nacional de desenvolvimento. Jânio o recebeu, leu e o interpretou numa visão parcial e unilateral, mas, o que mais o irritara é que as sugestões eram absolutamente omissas em relação aos problemas estruturais do país. Ele se pronunciou e um dos parágrafos era o seguinte: "Homens poderosos já me procuraram para expressar sua dessatisfação com o meu governo. Expliquei-lhes que só haveria dois meios de tolher os meus passos: depor-me ou assassinar-me, o que não me parece fácil". A imagem do Presidente devia ser preservada. Governar, se vinha revelando cada vez mais difícil. Os desacordos com o parlamento e a situação minoritária do governo eram uma realidade que tendia a aumentar. Cumpria tomar providências compensatórias. De duas ordens eram elas. Através das chamadas reuniões dos Governadores, em que Jânio Quadros se deslocava para um ponto do território nacional, quase sempre acompanhado de seu Ministério e se encontrava com os Governadores de determinadas regiões do país, onde eram tomadas decisões de interesse imediato para os Estados. Paralelamente, as famosas comissões de inquérito instituídas em comissões de sindicância, vinham a público com resultados. A história dessas sindicâncias ficará por largo tempo como objeto de polêmica, pois seu valor foi essencialmente controversível. É incontestável que se apurou irregularidades em alguns setores. No parlamento, os debates suscitados em torno dessas comissões aprofundavam o hiato crescente entre o Poder Legislativo e o Poder Executivo. Na mensagem presidencial ao Congresso Nacional, datada de 15/3/1961, a política externa brasileira era considerada em vários parágrafos, em que, os seguintes princípios se afirmavam: 1° necessidade de estabelecer contatos comerciais e diplomáticos, com países de ideologias divergentes; 2° tais contatos eram a via empírica expedita para distender as relações internacionais e tornar possível a manutenção da paz; e 3° as Nações Unidas não haviam sido criadas para serem foro manipulável por um grupo de países de ideologias afins; cada País devia aí representar-se em função exclusiva dos seus interesses, desde que respeitando o princípio básico que estrutura o organismo internacional, o decidido apoio à causa da preservação da paz, através da certeza de que todos os diferendos internacionais podiam encontrar sua solução por via pacífica e jurídica. Passados alguns anos já dos acontecimentos, é lícito reconhecer que no conjunto a política externa inaugurada como presidente Jânio Quadros e continuada, com alterações, até a deposição do presidente João Goulart, se caracterizou: primeiro pela relativa inalterabilidade das mesmas relações com todos os países capitalistas, inclusive os Estados Unidos da América, salvo, com relação à Cuba; depois pela intensificação das relações diplomáticas e comerciais com os países socialistas, aspecto positivo, tanto que desde então o País o vem mantendo e sustentando, quaisquer que tenham sido as modificações internas, pois o presumido se positivou, a saber, que pelo menos as relações comerciais seriam reciprocamente benéficas - ressalvado o não encaminhamento da questão das relações com a China Popular e a ruptura de relações com Cuba. Sob esse ângulo, o saldo foi duradouro. Outra é a questão de saber se o País estava em condições de tomar aquelas medidas. Formulada assim, a questão assume caráter polêmico. Foi o que aconteceu. À chamada missão João Dantas coubera a função exploratória no planejar, acordos comerciais do Brasil com a Bulgária, a Hungria, a Romênia, a Iugoslávia e a Albânia. Concomitantemente, novas embaixadas brasileiras eram abertas em países do Terceiro Mundo, inclusive na África no Senegal, em Gana, na Nigéria, no Congo (Kinshasa). Todas essas medidas eram recebidas pelo parlamento e pela grande maioria da imprensa brasileira como excentricidades e audácias periculosas, para as quais o País não estava preparado.
(*) é professor universitário,jornalista e escritor

terça-feira, 17 de agosto de 2010

História

O Governo De Juscelino Kubistchek :

Juscelino Kubitschek de Oliveira (Diamantina, 12 de setembro de 1902 — Resende, 22 de agosto de 1976) foi um médico, militar e político brasileiro.

Conhecido como JK, foi prefeito de Belo Horizonte (1940-1945), governador de Minas Gerais (1951-1955), e presidente do Brasil entre 1956 e 1961. Foi o primeiro presidente do Brasil a nascer no século XX e foi o último político mineiro eleito para a presidência da república pelo voto direto.

Casado com Sarah Kubitschek, com quem teve as filhas Márcia Kubitschek e Maria Estela Kubitschek, foi o responsável pela construção de uma nova capital federal, Brasília, executando assim o antigo projeto, já previsto em três constituições brasileiras, da mudança da capital para promover o desenvolvimento do interior do Brasil e a integração do país.

Durante todo o seu mandato como presidente da república, (1956-1961), o Brasil viveu um período de notável desenvolvimento econômico e relativa estabilidade política. Com um estilo de governo inovador na política brasileira, Juscelino construiu em torno de si uma aura de simpatia e confiança entre os brasileiros.

Juscelino Kubitschek é, ainda hoje, um dos políticos mais admirados do cenário político do Brasil, aparecendo junto com Getúlio Vargas, nas pesquisas de opinião pública como os dois presidentes preferidos pelos brasileiros. Segundo seu adversário José Sarney, Juscelino foi o melhor presidente que o Brasil já teve, por sua habilidade política, por suas realizações e pelo seu respeito às instituições democráticas.[1]

No ano de 2001, Juscelino Kubitschek de Oliveira foi eleito o "Brasileiro do Século" em uma eleição que foi publicada pela revista Isto é.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Geografia - America Latina

America Latina

Relevo e Hidrografia da América :

A América do Norte e a América do sul apresentam semelhanças quando a disposição das suas formas de relevo. No sentido oeste-leste, três grandes unidade de relevo: as grandes cadeias de montanha, as planícies centrais e os planaltos.
As grandes cadeias montanhosas do oeste estendem-se do Alasca (América do Norte) ao sul do Chile (América do Sul).
Nos EUA e no Canadá, o conjunto de cadeias montanhosas do oeste recebe a denominação geral de montanhas Rochosas; na América do Sul de cordilheiras dos Andes.
No México o prolongamento das montanhas Rochosas forma a serra Madre Oriental e a serra Madre Ocidental.

Clima e Vegatação :

Clima equatorial – Predomina em todos os estados da Região, exceto em trechos do Pará e de Roraima e na maior parte de Tocantins. É a área para onde se dirigem os ventos alísios, dominada pela massa de ar equatorial continental.

Em função da pluviosidade é possível distinguir dois subtipos de clima equatorial. Na Amazônia ocidental, onde as chuvas são abundantes e quase diárias, o clima é equatorial superúmido. Na maior parte da Região, o clima é úmido, sem estação seca caracterizada, embora sempre haja um período menos chuvoso.

Clima tropical continental – Caracteriza-se por uma estação chuvosa, o verão, e outra seca, o inverno, como no Centro-Oeste. Esse tipo de clima predomina no estado de Tocantins, no noroeste do Pará e no nordeste de Roraima. Recebe influência da massa equatorial continental e da massa equatorial atlântica. No noroeste do Pará e em Tocantins, o inverno seco ocorre por influência da massa tropical atlântica.

A VEGETAÇÃO ORIGINAL

O calor constante e a abundância de chuvas na Região permitiram o desenvolvimento de uma mata densa e sempre verde (perenifólia), que originalmente ocupava quase toda a superfície do Norte do Brasil. Essa mata, a mais extensa do mundo em região de clima quente, é a Floresta Amazônica.

Crecimento Vegetativo :

PRIMEIRA FASE (crescimento lento)

BAIXO ÍNDICE DEMOGRÁFICO – Dos primórdios da humanidade até o fim do século XVIII, aproximadamente, embora a natalidade tenha sido elevada, a taxa de mortalidade também era bastante alta, o que explica o baixo índice de crescimento demográfico desse período. Nessa fase, observamos que a humanidade estava submetida às imposições da natureza. Por meio da mortalidade elevada, a natureza impunha um ritmo de crescimento bastante lento.

BAIXA EXPECTATIVA DE VIDA– A expectativa de vida ou esperança de vida (duração média, em anos, da vida humana) era baixa. Acredita-se que na Grécia e na Roma antigas a média de vida era de apenas 25 anos. As crises de fome, as guerras, as precárias condições higiênico-sanitárias e as epidemias em muito contribuíram para os resultados desse período. Os países desenvolvidos superaram esta fase antes dos subdesenvolvidos, e podemos apontar a revolução Industrial (século XVIII) como marco desse período.

SEGUNDA FASE (crescimento rápido)

Caracterizada por elevadas taxas de natalidade e baixas taxas de mortalidade, nessa fase, na qual se encontra atualmente a maioria dos países subdesenvolvidos, ocorre grande crescimento da população.

Os países desenvolvidos industrializados da europa Ocidental, os chamados “desenvolvidos velhos”, foram os primeiros a atingir essa fase, principalmente durante o século XIX, ao passo que nos países “desenvolvidos novos” (EUA, Canadá, Rússia, Japão), ela ocorreu na primeira metade do século XX e, nos países subdesenvolvidos, a partir da segunda metade do século XX.

Na Europa ocidental, o sucesso da Revolução Industrial contribuiu para a melhoria das condições higiênico-sanitárias, médico-hospitalares e alimentares. Declarou-se guerra às epidemias, reduzindo a mortalidade de forma gradativa. Entretanto a natalidade permaneceu elevada durante quase todo o século XIX, o que explica o grande crescimento populacional da Europa nesse período. Em 1900, a Europa era o segundo continente mais populoso (em primeiro lugar estava a Ásia); no ano 2000, já era o penúltimo em população

História

O Mundo Dividido. A guerra fria:


A guerra fria tem início no final da segunda guerra mundial e perdura até o fim da URSS em 1991. Logo após a segunda guerra mundial os EUA e a URSS saem como as duas grandes potências da época, disputando a hegemonia política, econômica e militar mundial. Esse conflito recebe a designação por ser um período de ameaças, uma guerra ideológica, política e econômica não avendo conflito direto entre estas duas superpotências.
Este período causou muitas preocupações ao mundo já que tanto os EUA quanto a URSS tinham um grande arsenal nuclear, e se entrassem em conflito direto podiam acabar se destruindo e destruindo outros países.
A URSS adotava sistema socialista, com uni partidarismo (PC Partido Comunista), economia planificada, igualdade social e falta de democracia. Os EUA possuía um sistema capitalista e apoiava a expansão deste, baseava-se na democracia, na economia de mercado e na propriedade privada.
Com o início dessa rivalidade e buscas por influências o mundo estava basicamente dividido entre socialismo (URSS) e o capitalismo (EUA). Com isso a Alemanha acabou dividida em duas áreas, a República Democrática da Alemanha cuja capital era Berlim e tinha influência soviética e a República Federal da Alemanha com capital Bonn influenciada pelos países capitalistas e, além disso, a cidade de Berlim foi dividida em quatro partes distribuídas para URSS, EUA França e Inglaterra e então e construído o famoso Muro de Berlim que dividiria parte socialista de parte capitalista. O muro de Berlim ficou também conhecido como “Cortina de Ferro”.
A URSS comandava os países do leste europeu e os EUA para tentar manter sua influência sobre os outros países europeus e ampliar os domínios sobre o mundo cria a Doutrina Truman, que é promulgada em 1947 pelo presidente dos EUA Harry Truman. Esta tinha como objetivo conter o comunismo e segundo a doutrina os Estados Unidos eram responsáveis por defender o mundo capitalista, este então passa a ajudar militar e economicamente países capitalistas contrários a expansão do comunismo e também como forma de manter domínios auxilia as ditaduras militares na América Latina.
Vimos então que o período logo após a segunda guerra mundial foi um período em que o mundo se tornou bi polarizado com a disputa entre socialismo e capitalismo e estes lados foram em busca de influências e dividiram um mundo entre os que apoiavam os EUA e os que apoiavam a URSS então durante vários anos as maiores potências mundiais travam uma batalha ideológica onde todos temiam conflitos diretos, que poderiam causar caos e destruição.